sexta-feira, 20 de abril de 2007

Uma intervenção cirúrgia na minha alma, dói demais

Hoje sinto-me nervoso, angustiado e um tanto impaciente. Tive que levar um dos meus queridos cães para uma intervenção cirúrgica que muito embora o médico diga ser simples, para nós (eu e a São dona de metade dos canitos), foi o fim do mundo.


É difícil imaginarmos estas coisas, só mesmo passando por elas. Nem todos temos a mesma sensibilidade, é certo, mas perdoem-me os mais cépticos a estes sentimentalismos mas eu e a São adoramos os nossos patudões como se de filhos se tratem. Tudo o que mexe com os nossos deixa-nos numa enorme ansiedade e angústia. Mas acontece que os nossos garotos desenvolveram (ambos) um quisto numa zona junto do ânus, sendo necessário a remoção pela via cirúrgica, caso contrário corriam o risco de a coisa se agravar. Como parte do diagnóstico foi-nos dito que se tratava de um efeito hormonal e que para extinguir em definitivo a hipótese dos quistos voltarem teríamos que castrar os nossos meninos. Tudo isto foi confirmado pelo cirurgião que acrescentou ainda tratar-se de um problema comum em animais que produzem testerona em excesso. Prova disso uma infecção que lhes aconteceu na cauda e onde ficou uma pelada, deu nos dois meninos e na mesma zona. Tivemos que nos mentalizar que não existia outra saída e avançar.

Hoje saímos cedo com os nossos mais que tudo pela trela, mal eu cheguei lá a casa foi uma festa de patadas, saltos e lambidelas, viemos para a rua dar a volta do costume, mas que para os patudos é sempre uma alegria, coitados contentam-se com qualquer coisa e ficam felizes com pouco, são assim os nossos animais. Chegámos ao consultório veterinário às 9h30 em ponto e ambos os canitos foram observados pelo médico que com o ar mais natural do mundo, comentou que seria coisa simples. Escolheu o Kibito (Ikbal) para ser o primeiro pois tem problemas de epilepsia. Ainda o vi em cima da marquesa com aquele ar doce e assustado sem perceber muito bem o que estava a acontecer. Cá fora, pela porta aberta da sala eu e o Bahari observávamos tudo, a São ficou lá com o nosso menino doce, grande mulher a São, se tivesse optado por ser mãe seria uma das mais extraordinárias, não obstante aquele ar calmo e até tímido.
A São é uma virgem com ascendente peixes, mas é dotada de uma força e coragem ilimitadas, já o demonstrou por diversas vezes. Ela é a minha melhor amiga e a pessoa mais extraordinária que conheço. Algum tempo mais tarde a São regressou para junto de mim e disse que o nosso menino já dormia. Fomos a casa deixar o Bahari que dava sinais de impaciência e intranquilidade, talvez adivinhando que o próximo seria ele. Regressámos mais tarde e encontrámo-nos com uma grande amiga nossa e a melhor amiga da São. Melhor amiga é dizer pouco pois a Moema é como uma irmã da São e está sempre presente nos bons e nos maus momentos. Estivemos os três na sala de espera até que ouvimos longos lamentos do nosso Kibito, as lágrimas aflorando os nossos olhos, lágrimas sofridas e doridas com aqueles lamentos do nosso menino, mas ao mesmo tempo aliviadas pois o choro dele indicava que estava vivo. A assistente do médico veio dizer-nos que estava tudo bem e que a intervenção fora um êxito. Acto contínuo ouvimos umas patitas no chão e eis que surge o nosso menino, trôpego, cambaleando mas com aqueles olhos doces e a cauda abanando de felicidade, veio para junto de nós buscando protecção e carinho, um pouco de conforto face à dor que sentia.
Mas o que podemos nós fazer para lhe aliviar o sofrimento? Palavras meigas de afecto, carinho, alegria por o ver a andar. Ele não parava quieto, queria sair dali, andava na direcção da porta e foi preciso ainda estancar um fio de sangue que teimava em escorrer (normal disse o médico). Levámo-lo para casa, agitado, dorido e sem posição para estar. Por fim deitou-se e acabou por encontrar uma posição o mais confortável possível. Saí pouco depois olhando para o Bahari que olhava para aquilo tudo muito agitado sem perceber o que se tinha passado. Para ele estivera apenas algum tempo sozinho sem o irmão e isso já deve ter sido sofrimento suficiente. Mal Imagina o meu Teca (Bahari) que amanhã será a vez dele passar por tudo isto e nós passarmos novamente por todo este sofrimento e angústia. Há dias em que me sinto vazio, como se o ar, a energia e tudo o resto fugissem de dentro de mim, especialmente quando vejo e sinto o sofrimento daqueles que amo, mesmo sabendo que esse sofrimento é para o bem deles, porque será que isso não me consola?


ADENDA
07-03-21
Não ficaria este post completo se não mencionasse o dia de hoje. O meu kibito (Ikbal) já se encontra convalescente mas com aquele olhar doce e vivo que lhe conhecemos. A sua cabecita vira-se observando tudo e todos com vivacidade, um doce, cheio de mimos claro. Mas por outro lado hoje foi a vez do teca (Bahari) ser intervencionado. Cheguei lá a casa cedo, a São acabara de se levantar e fui recebido com patadas e caudas a dara a dar, uma alegria. Levei o Bahari ao seu passei matinal que tão feliz o deixa. O kibito olhou para nós, ainda se ergueu um pouco mas desistiu. Pouco depois seguimos para a clínica. Confesso que hoje me custou muito mais do que ontem, nem sei porquê, mas senti-me mais nervoso, mais ansioso e muito mais fragilizado. A Sâo também, muito embora me tentasse animar e eu a ela. O tempo que durou a intervenção foi mais longo e, soubemos depois, a operação mais complicada. Mas por fim lá veio o meu patudo cambaleando mas abanando o rabito feliz por nos ver. Nem um queixume, nada, só aqueles olhos escuros mostravam que estava dorido. Até a ferida está com melhor aspecto do que a que tinha o irmão quando veio ter junto de nós. O meu teca é um fortalhaço, um cãozão!! Só em casa, já deitado na sua cama emitiu queixumes, pequenos gemidos, nada exagerado.
Acabou! Respiro de alívio, mas não quero passar por isto novamente assim Deus nos ajude. Pode ser uma intervenção simple e tudo o mais em termos técnicos, só que o meu coração não reconhece isso e o da São também não.

2 comentários:

kuska disse...

olhando assim as fotos dos nossos cães sinto-me a pessoa mais feliz do mundo!
eles são a maior fonte de afecto da minha vida!
bjo

Afgane disse...

Pois é lindinha,
Já lá vão 9 rápidos e sobressaltados anos desde que os trouxemos, mas a verdade é que têm sido 9 dos mais maravilhosos anos das nossas vidas. Nem imagino a nossa vida sem eles.
beijos