sábado, 16 de junho de 2007

Harley, Born To Be Wild

Desde que a primeira moto foi inventada que a paixão nasceu. Actualmente existem milhões de motos espalhadas pelo globo e o culto motard está mais vivo do que nunca. As marcas são inúmeras, os modelos e as formas também. Desde os grandes fabricantes até aos pequenos construtores de modelos personalizados há de tudo. A mota está associada ao espírito rebelde, à sensação de liberdade e ao gosto pela estrada. Mas não há nada que substitua uma Harley Davidson a rainha de todas as motos. A Harley definiu os parâmetros e o contexto de todas as outras e nenhuma se lhe compara. É diferente passear numa qualquer mota por mais impressionante que seja e aparecer numa Harley. Durante anos a Harley Davidson foi popularizada em filmes, anúncios, séries de TV e até na música para ter uma noção da imensidade basta dar um salto ao site cujo link aparece no final deste post.







O conceito rocker definiu-se como vestir de cabedal, usar botas de cowboy, tocar guitarra e andar numa harley. Existem bandas musicais que se identificam com este contexto tal como muitas pessoas. Lembrando os eternos Judas Priest. Se nos lembrarmos das concentrações de motos em qualquer país verificamos que a música rock lhes está associada. Durante muito tempo o conceito biker vivia muito do feios, porcos e maus, uma injustiça. A mulher era retratada como a pendura do motoqueiro, outra injustiça poi as mulheres sempre foram e continuam a ser tão bikers quanto qualquer homem. Não raro é encontrar mulheres que guiam as suas potentes máquinas através de vários países para participar em convenções.



Sobreveio uma fase em que ser motoqueiro era um símbolo de rebeldia face a uma sociedade castradora, posteriormente os motards passaram a ser os executivos e as profissões de maior status com as suas motos caras, mas muitos desses motards só têm mesmo o dinheiro pois os espírito não está lá nem se compra. Não há regra sem excepção. Claro que se falarmos com quem tem uma mota todos afirmarão ser motards de corpo e alma, mas só ao fim de semana muitos deles e nem sempre. A mota actualmente está ligada a uma geração mais jovem, aliás é a pensar nela que os fabricantes evoluem as suas criações. Mas a moto ultrapassa largamente o conceito geração. É óbvio que a utilização das motos também evoluiu ao longo dos anos e é muitas das vezes elevado ao exagero e até à imprudência com consequências nefastas para a vida dos utilizadores. É frequente ouvirmos notícias trágicas sobre motos, mas nem isso diminui o entusiasmo daquele que desejam andar de moto. Actualmente existem diferentes tipos de motos e vários desportos a elas associados, uns mais radicais do que outros. Existem ainda os especialistas em saltos fantásticos e acrobacias que fazem parecer fácil controlar uma moto quando na verdade o não é. Mas que as motos são um veículo fascinante disso não há qualquer dúvida.
Uma experiência sem igual é participar numa convenção de motos, a vida nunca mais será a mesma. O ambiente é único, é como um Woodstock de menores dimensões. As conversas são sobre motas, viagens estrada fora e música. Tudo isto regado com cerveja e na companhia de encantadoras mulheres. Depois temos a música, concertos de rock forte e musculado sem esquecer os fenomenais strips da praxe. Eu tive a sorte de tocar para uma imensa plateia de motards e garanto-vos nada se assemelha, é um momento único.
Ensinou-me a experiência que existem fases em que se criam modas que acabam por nos contagiar a todos pois definem de certo modo a geração a que pertencemos. Essas modas vão desde a cultura que absorvemos até ao vestuário, uns adaptam-se mais a uma moda do que outra e vice-versa. Lembro-me particularmente dos Rockers versus Rocabilly ou dos Teddy Boys, mais tarde o Punk e os Mods e ainda o pessoal do Grunge. Actualmente existem outras tantas tendências, talvez a mais falada no nosso país seja a do movimento gótico, se calhar porque dão mais nas vistas trajando integralmente de negro. No fundo são correntes que marcam a nossa juventude e que aos poucos abandonamos conforme nos vamos inserindo na sociedade de consumo, ficam as recordações. Mas isso não significa que no nosso íntimo não continuemos fiéis a esses ideais. Conheço muitas pessoas que mudaram na imagem exterior mas no interior continuam iguais ao que sempre foram. O dinheiro pode comprar a imagem, mas a essência ou se tem ou nunca se conseguirá adquirir. Sente-se ou não se sente. Eu continuo fiel à minha catedral do rock, o palco, onde todos os meus anjos vestem de cabedal, usam botas de cowboy, tocam guitarra eléctrica e cavalgam Harleys. Born To Be Wild.



Para saberem mais sobre a Harley em filmes e séries de TV


quinta-feira, 14 de junho de 2007

Um sonho no pensamento

Por vezes a nossa mente viaja, passeia pelo intrincado do raciocínio, ultrapassa os limites do real e voa na imaginação. Há momentos em que o nosso pensamento atravessa fronteiras, barreiras físicas que não nos podem deter… ao longe vejo um imenso campo, umas fragas, uma cascata que cai para um rio que corre tão rápido como o meu pensamento. Sinto-me em paz hoje, só o murmurar da natureza chega aos meus ouvidos, isso e o gemer de uma guitarra, um anjo de som que me acompanha. Sem ela não sou nada, não sou ninguém nem tenho voz, juntos vamos de viagem. Abrem-se os céus, as nuvens forram a passagem com tapetes de algodão. Lá em baixo o chão é multicolorido, a terra lavrada, os campos das sementeiras. Choveu, que bom o cheiro da terra molhada, aroma divino qual néctar sagrado que entra no meu corpo e me rejuvenesce. Hoje estou em paz. Estou em paz comigo e com os outros, estou em paz com o mundo. Hoje não quero fazer nada, quero apenas permanecer quieto e escutar esta guitarra que me transporta para outro universo. O som que escuto é como um choro feito de lágrimas que lavam a alma e servem de bálsamo ao meu espírito cansado. Vou de viagem, Não sei para onde vou mas quero ir, seguir em frente é melhor do que ficar à espera do que não acontece e se acontecer que me apanhe no caminho. Abro as asas e solto-me na brisa que se transforma em vento e me arrasta para o infinito, logo me traz de volta ao encontro de um sorriso de criança. Hoje sinto-me em paz por isso sonho. Venham sonhar comigo!

terça-feira, 12 de junho de 2007

Os meus livros em lista

Respondendo ao desafio que me lançou a Thunderlady aqui vai a minha escolha de livros que não obedecem a um critério extraordinário, mas sim a várias circunstâncias, momentos e vontade. Não tenho uma especial preferência no que respeita a livros, gosto de todos, apenas certos assuntos ou abordagens podem suscitar da minha parte uma maior curiosidade.

Em primeiro coloco um livro que nunca li na totalidade ou seja, não é um livro para ler da primeira à última página de seguida. Este livro eu abro-o quando estou com dúvidas e certos estados de espírito, penso no que está a ocupar o meu espírito e deixo o livro abrir, só depois leio e tem resultado sempre, a história em que o livro abre diz-me respeito. Até agora tem funcionado e já se passaram alguns anos desde que o tenho, foi um presente da Kuska e em boa hora veio. "Uma Viagem Espiritual" é mais do que um livro é uma companhia para a minha vida. A ler sempre




O segundo livro para ler e reler é "Os Templários na Formação de Portugal". Tudo o que diga respeito a esta ordem religiosa diz-me respeito também e quero sempre mais. Existem outros volumes que releio com frequência sobre os Templários, mas este é especial pois diz respeito à formação do nosso país e é importante que tenhamos orgulho no que é a nossa herança, um país pequeno com uma alma do tamanho do universo.






"De Bagdade com Amor", tenho forçosamente que ler, fala de um cachorro, de seres humanos, de sentimentos, fala de amor. Um amor incondicional que é o que os nossos bichos nos dão em qulquer altura ou circunstância.











Seguidamente na prateleira tenho "O Evangelho Segundo Judas". Já conheço os outros quatro evangelhos que integram a bíblia, já agora vou ficar a conhecer mais um e comparar. Além doi mais sempre achei a história do Judas muito mal contada.










Mais dois livros que despertam a minha atenção: "A Quarta Aliança" e "Dos Templários à Nova Demanda do Graal". Ambos estão na lista para ler e muito sinceramente não sei qual vai ser o primeiro

sábado, 9 de junho de 2007

Felicidade existe?

O conceito de felicidade é variável e bastante pessoal, existem no entanto características comuns relacionadas com as nossas ambições, posicionamento na sociedade em que estamos inseridos e na busca de um certo status. Estes serão apenas alguns dos pontos que partilhamos todos. È óbvio que muitos discordarão, uns dirão que é a família, mas porque será que os que têm a dita família não são felizes? Outros dirão que é o amor com que sempre sonharam. É-o na verdade, pelo menos por alguns meses ou até anos, mas a ruptura ou o divórcio é o passo seguinte. Não nos enganemos, o que acontece é que estamos permanentemente insatisfeitos e quantas mais dificuldades mais insatisfeitos ficamos, ansiosos, irritados e nada parece correr bem.
Segundo alguns estudos realizados por especialistas, um dos principais entraves à nossa felicidade consiste no facto de andarmos ocupados com as nossas carreiras e obrigações profissionais. Na verdade o trabalho ocupa muito da nossa vida, não basta sairmos do emprego, os problemas continuam na nossa cabeça e vêm connosco para casa, misturam-se com o resto da nossa vida. Depois ainda há as incompatibilidades com chefes ou colegas, os dias que correm menos bem, o trânsito ou os transportes atrasados e a abarrotar, as longas viagens de casa para o emprego e volta. Chegados a casa é o jantar, a loiça e roupa para lavar, estes apenas alguns factores. Depois os problemas pessoais, os problemas da família, dos amigos. Tudo junto e misturado no caldeirão da vida dá uma bela sopa de confusões. Mas não podemos esquecer o horror das contas mensais, casa, empréstimos, carro. Isto para os solteiros pois para os casais a coisa piora, especialmente se têm filhos.
Os meses são sempre mais compridos do que os salários e a busca para ganhar mais uns pós é constante. Na verdade temos mais conforto, mais e melhor saúde, maior esperança de vida e muitos bens de consumo, alguns até em excesso, mas e tempo para desfrutar de tudo isso? Será que temos tempo? E disposição?
Não temos tempo e nem podemos comprá-lo. Por este motivo muitas vezes deixamos de fazer coisas que seriam óptimas para desanuviar e optamos pela televisão ou Internet. Amigos virtuais: mais prático e mais barato com a vantagem que quando não quisermos estar com eles desligamos o computador. Tendo tudo isto porque raio somos infelizes?
A solidão é um sintoma social cada vez maior, tal como a ansiedade e a depressão. Andamos quase sempre deprimidos seja com o que for. Temos sempre queixas para fazer. Os empregos já não são seguros como antigamente, estamos nas mãos dos bancos, das finanças com a sua enorme carga fiscal. Um dos principais factores de infelicidade é a falta de dinheiro. É certo que o dinheiro por si só não traz felicidade, mas ajuda a comprar alguma e contribui para nos dar a tranquilidade necessário para encontrar o resto. Dinheiro, o motor do mundo em que vivemos! Eis aqui um dos maiores factores que contribui para sermos infelizes: dinheiro custa a ganhar e o que ganhamos mal chega para aquilo que hoje é o kit básico da sobrevivência: casa, recheio, carro e comida. Tudo o resto já é luxo. Posto isto o que nos falta para sermos felizes? A mim? Euro milhões precisa-se dá-se uma percentagem a quem o encontrar.

terça-feira, 5 de junho de 2007

Fui nomeado e nomeei!

Fui nomeado pela minha querida amiga Teresa ( A Gota de Ran Tan Plan) para este prémio que circula na comunidade blogger o Thinking Blogger Award, ou Five Blogs that Make Me Think. Muito embora não me ache merecedor de tal distinção e não é falsa modéstia, resolvi aceitar pois que vindo de quem vem é certamente um elogio por si só a nomeação. A Teresa foi a responsável por eu ter este blog, foi ela quem me desafiou a fazê-lo e foi igualmente ela quem me ajudou a vários níveis nos meus primeiros passos. Por tudo isto decidi-me a aceitar a nomeação e está tudo dito.
Tendo conhecimento da posição da minha querida amiga no que refere a este prémio abstenho-me de a nomear e ao seu fabuloso espaço onde me divirto e aprendo, além do mais escrito num português irrepreensível e de forma que já é tão raro encontrar. Por isso as minhas nomeações vão para:

Álvaro M. Rocha- Blog Oficial – Este faz-me mesmo pensar
O blogue que não era para ter nome mas teve – adoro este
Babe Certificada – gosto do que lá encontro
Inferno_Da_Diabba – o que eu me divirto com as coisas sérias que ela escreve, apesar de refilona
Fora dos Eixos – relembra-nos o que esquecemos frequentemente e está ao alcance dos nossos olhos.

Agora resta-me terminar satisfazendo um pedido de alguns bloggers amigos. Num comentário que fiz no blog da Carracinha Linda mencionei um tema “Maré” que escrevi e gravei em colaboração com os Mistura Louca, a Ilze Van Zanten e Marta Casado que vieram comigo de um outro projecto e Manfred Praeker (ex-Nina Hagen, Splifft e Nena) músico/compositor/técnico de som e Produtor. A partir de um tema em inglês “Ride”, uma balada de rock escrita por mim, eu e os Mistura Louca fizemos uma coisa completamente nova, em português. Este tema teve por base querermos fazer qualquer coisa juntos e a sua inserção no CD da revista Promúsica, edição nº 10 de Outubro de 1997. A música foi feita numa tarde no estúdio do Manfred no Algarve, escrevi com a colaboração do grupo de pessoas acima menconado e acima de tudo divertido. A foto só contou comigo e com as garotas pois o Manfred estava fora, do tema espero que gostem.

sexta-feira, 1 de junho de 2007

Na calada da noite...

Olho com tristeza para aquele cão vadio enquanto ele bebe água de uma das bocas de rega do jardim. Solitário vai bebendo com sofreguidão lançando olhares furtivos ao redor. Os músculos tensos prontos para funcionar ao menor ruído e encetar a fuga. Depois de beber inspecciona alguns recantos, cheiros, arbustos e vai-se embora no mesmo passo apressado que o trouxe. Fixo o meu olhar naquele corpo que vai ficando cada vez mais pequeno até se perder na distância deixando-me só, aqui enclausurado no meu posto de trabalho, rodeado por vidro e alumínio. Ecrãs de TV trazem-me imagens a preto e branco do mundo que lá fora é de cor. Sinto frio. As noites perto da Serra de Sintra sabem ser frias e húmidas, mas não tão frias quanto o frio que trago na alma. Sinto-me igual aquele cão vadio que por aqui passou, sozinho. Embrulho-me na noite buscando aconchego. Os prédios dormem, só eu tenho que estar acordado.
As horas vão correndo, uma que vai embora e outra que chega, assim se desenrola o tempo, fio da minha vida. As luxes da rua parecem balões de uma qualquer festa de onde todos já saíram, só resto eu para dançar sozinho. Tenho a companhia dos meus pensamentos, a imaginação fervilhante, mil sonhos, uns bons outros não, mas vivo-os com a mesma intensidade.
Eis que a aurora chega, os carros passam e as janelas dos prédios abrem-se para o dia anunciado. Uma, não, duas ou talvez mais pessoas surgem no meu olhar, a colmeia desperta. O barulho irrompe no silêncio mas não me afecta, só quero ir para casa dormir. Dentro em pouco qual cão vadio, também eu irei deitar os pés ao caminho em busca de melhores destinos. Também eu desaparecerei na distância.

segunda-feira, 28 de maio de 2007

O meu mundo amarelo

Existe cor em quase tudo o que nos rodeia e não há maior diversidade de cores do que aquelas que encontramos na natureza, mas se experimentarmos perguntar a qualquer pessoa qual a sua cor favorita, a preferência recai sobre o azul. Na minha opinião, esta unificação em torno do azul nasce com a introdução em massa da ganga (hoje diz-se jeans) no nosso vestuário. Na década de setenta ganga era a peça essencial do vestuário da maioria dos jovens, calças, coletes, blusões, camisas e até ténis, havia de tudo e todos usavam. A ganga era inevitavelmente azul ou branca e as grandes marcas do meu tempo era a Levis Strauss, Lee, Wrangler, isto apenas citando as de que tenho memória. A verdade é que essa moda perdurou até aos nossos dias e ainda hoje a ganga faz parte integrante do vestuário de muitos de nós nem que seja aos fins-de-semana. Acredito que seja por este factor que o azul se tornou a cor dominante nas preferências de tanta gente. E as outras cores?
Já muitas vezes reflecti sobre os motivos que nos levam a gostar mais de umas cores do que de outras, em parte será instintivo, mas acredito que certos factores exteriores nos podem induzir a gostar de cores que até então nos passavam completamente despercebidas. Será? Ou isso só acontece comigo?
Norma geral gosto de cores vivas, cores alegres que simbolizem vida e luz, maneira de ser. Entre os meus tons favoritos estão os pastéis e o branco. Gosto de fazer contrastes entre outras cores e o branco. Mas confesso que actualmente adoro o amarelo…
Tudo começou em 1991, início de um dos piores períodos da minha vida quer a nível sentimental quer a nível económico. Depois de ter sofrido inúmeros revezes da sorte e de ter perdido a confiança em pessoas que julgava serem a toda a prova, confesso que subsistiu uma imensa amargura e um total desinteresse por quase tudo. Dividia os meus dias entre o trabalho, tratar da vida doméstica, ler e ver televisão, na maior parte das vezes por volta das 21h estava na cama onde procurava ler qualquer coisa e sonhar com dias melhores. Lembro-me que estava a ser doloroso. Para fazer face a determinadas despesas vi-me na necessidade de me desfazer de parte do equipamento que possuía, guitarras e amplificadores maioritariamente. Fiz vários negócios, através de um amigo que tinha muitos conhecimentos, alguns mais lucrativos do que outros confesso. Um dia, a propósito da venda de um amplificador de estimação, o tal amigo apareceu na minha casa com uma proposta de um comprador: o fulano pagaria uma grande parte em dinheiro e outra com uma guitarra. O dinheiro fazia-me falta e uma guitarra é relativamente fácil de vender, por isso senti-me tentado a aceitar. Só que havia um ligeiro problema, a guitarra era amarela, não um qualquer amarelo mas quase fluorescente. Na verdade a cor é denominada Desert Sun Yellow e a marca Ibanez. Aí recuei um pouco, o amarelo, confesso, não era na altura uma das minhas cores de eleição, aliás nem lhe ligava nenhuma, diga-se em abono da verdade. Vendo-me vacilar no negócio, o meu amigo abriu o estojo da guitarra e lá estava, sobre fundo totalmente preto aquela coisa amarelo brilhante. O meu amigo disse-me – “Olha fica com ela uns dias para ver se gostas, se não gostares pensamos noutra solução”- a verdade é que o instrumento ficou.
No dia a seguir à conversa lá decidi dar uma olhadela ao instrumento. Na verdade aquele amarelo vivo sobre o fundo negro cativou a minha atenção, nem sei bem porquê, talvez o contraste. Comecei por inspeccionar as madeiras, depois as partes mecânicas e finalmente a electrónica e os acabamentos, tudo irrepreensível. Toquei um pouco com ela desligada para ouvir o som das madeiras e finalmente liguei-a ao amplificador. A verdade é que fiquei totalmente impressionado com a guitarra e graças a ela voltei a sentir-me vivo. Acabei por concretizar o negócio e desde aí não mais parei de tocar naquela guitarra amarela. Alguns meses mais tarde voltei para a música em termos profissionais e a minha guitarra amarela tornou-se uma imagem de marca que dura até aos dias de hoje, de tal forma que se alguém aparece com uma guitarra amarela todos pensam que fui eu que emprestei a minha. A minha Lady DY é o meu cartão de visita e graças a ela tenho tido momentos inolvidáveis, o carinho que sinto por ela é do tamanho do mundo tantas coisas vivemos juntos. Nos momentos mais duros e solitários foi tocando nela que ganhei forças, nos momentos mais felizes foi tocando nela que festejei, em parte, esta guitarra representa a minha vida. Já tive muitas guitarras, umas foram e outras vieram, algumas ficaram outras não. Hoje tenho apenas dez, mas de todos eles a número um é a minha Lady Dy o meu único e verdadeiro primeiro amor. Graças a ela aprendi a gostar de amarelo e hoje adoro coisas amarelas, mais do que roupas. A vida tem destas coisas, pequenos nadas transformam muito a forma como vimos ou gostamos do que nos rodeia. Hoje sei que o ano de origem da minha guitarra é 1987 que se trata de um modelo de sucesso à escala mundial e que a marca lançou agora um instrumento rigorosamente igual em edição especial. Trata-se da Ibanez RG550DY, série limitada com estojo em amarelo igual à guitarra. Penso que vou ficar com uma para mim, mas vou precisar de dois estojos he he he.

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Eu desisti de tocar para já...

É sempre difícil falarmos de nós, pelo menos nos termos em que outros falariam. Este post destina-se mais às várias pessoas, amigos e colegas que não param de me perguntar porque é que não faço mais nada com a música. Espero que fiquem esclarecidos.
Não faz muito tempo, vinha eu ao volante do meu carro, cerca das 23h, quando mudei de posto no rádio e sem qualquer opção definida fiquei-me pela Rádio Capital. O que me despertou a atenção foi o nome do programa: Hotel Califórnia. Esta é sem dúvida uma das minhas canções favoritas de sempre, mas o programa em si é composto por bom rock. Ouvi um pouco de tudo, rock mais melodiosos, FM, mais duro e até rock sinfónico. Isto remeteu-me para o tempo em que gastava rios de dinheiro em Lp’s. Possuía uma vasta colecção de álbuns bastante eclética, delícia dos meus amigos que ocupavam o meu quarto para ouvirmos música. Lembro-me que escutávamos álbuns completos faixa a faixa e não apenas as faixas de sucesso como acontece actualmente. Nesses discos encontrei a minha formação musical e inspiração, foi daí que iniciei a minha caminhada como músico e compositor. Militei algum tempo em grupos que animavam os bailaricos, escola obrigatória para qualquer jovem iniciado nesta vida de saltimbanco. A maior parte do meu tempo como músico centrou-se em bandas de temas originais e tocando com músicos que sabiam mais do que eu, fui evoluindo em todos os aspectos incluindo na presença em palco. Nos anos oitenta ainda fiz muitas gravações com um amigo teclista, fazíamos sessões de dias inteiros, tudo de improviso, gravámos muita fita com essas divagações musicais, a maior parte perdida em qualquer canto pois não as encontro. Foi igualmente neste período que me dediquei à informática e me afastei da música. O regresso deu-se em 1992 com os Moloc. Tudo começou por acaso mas a verdade é que durou até 1994 e poderia ter continuado, mas não dependia só de mim. Nessa altura, finais de 94, comecei a tocar com o Tó Neto, estreei-me num espectáculo nas festas dos pescadores de Cascais, a minha colaboração com ele durou até 1997 altura em que entrei para a revista Promúsica como jornalista e especialista de instrumentos. Ainda assim participei em alguns projectos o de maior destaque foram os We Feel Good. Depois disso só esporadicamente voltei a estar em palco, sendo a última vez em 2002. Devido a vários condicionalismos por causa da minha actividade profissional abandonei aos poucos a música, excepção feita para um projecto que ainda hoje está por finalizar e que é uma colaboração com Álvaro M. Rocha, teclista, produtor e um músico das novas tecnologias electrónicas, uma pessoa com enorme potencial. Gravámos 4 temas que podem ser ouvidos na sua página da net, ficando de gravarmos o resto um dia qualquer. Ainda componho canções e toco em casa ou quando me junto com amigos, mas profissionalmente acabou, pelo menos para já. Diversos problemas pessoais retiraram-me a vontade de tocar, apenas a minha paixão pelas guitarras permanece inalterável e por isso encetei uma nova etapa desenhando modelos totalmente originais para um fabricante alemão que vai produzir alguns, o que me enche de alegria e orgulho.
A todos os que me têm pressionado, agradavelmente, para que volte a tocar quero dizer o seguinte: não digo que desta água não beberei, quem sabe o que o amanhã nos reserva? Estar em palco é para mim o expoente máximo da realização, sou um animal de palco. Tive muita gente que dizia que olhava para mim e parecia que eu fazia tudo parecer fácil, tocava de maneira relaxada e até me comparavam com o Keith Richards (Rolling Stones) na maneira de estar em palco. Nos inúmeros espectáculos do Ruína Bar tive até um músico americano que me disse que nunca perdia uma actuação minha e que até chegava mais cedo para arranjar lugar para me ver bem, pois que eu transmitia uma energia, uma forma de estar que era como se eu pertencesse ali, ao palco. Na verdade eu gosto de tocar ao vivo, vibro com cada tema e costumo dizer que a música é a minha droga. Não vejo a assistência, nem o resto dos músicos, sou só eu a minha guitarra e a música, uma sensação única e inimitável. Certas músicas fazem-me vibrar mais do que outras, exemplo disso é esta deste pequeno vídeo que coloquei aqui. É um tema do Tó Neto, mas tem qualquer coisa de especial, um cheiro a rock misturado com Santana, um tema que me faz vibrar.
Quero agradecer a todos quantos me apoiaram ao longo dos anos e a todos os que me incentivam a voltar. Para já não está nos meus planos, mas amanhã quem sabe?
Vídeo de Tó Neto e Oceânia (Tó Neto, Ilze Van Zanten, Marta Casado, Tomé e António Conceição) ao vivo, tema Magic City da autoria de Tó Neto.