sábado, 5 de maio de 2007

Sou, tal como muita gente, amante da BD e dos cartoons e actualmente conseguimos encontrar um pouco de tudo nesta área. Em termos pessoais procuro tudo o que tenha a ver com o galgo afegão, mas existem outras coisas pelas quais me interesso também. Uma das bandas desenhadas que adoro é o Van Dog que acho fenomenal, o Dilbert igualmente notável, existe muito por onde escolher basta procurar bem. Curiosamente aqui e ali vou encontrando pequenos desenhos ou caricaturas que colecciono religiosamente e tive até a sorte de conhecer um caricaturista britânico que me ofereceu jóias raras pois foram feitas de propósito para mim (e para a São). A propósito do nome Afgholic ele criou-me um logótipo que podem ver neste post, dois dos quadrinhos coloridos foram feitos a propósito de situações que se passaram durante o nosso relacionamento. A mulher deste desenhador, a Patrenella Ryllat foi criadora de galgos afegãos durante mais de 40 anos, foi com ela que aprendi muito do que sei e o resto foi nos livros sobre a raça, muitos deles recomendados pela Pat. O marido da Pat foi professor de desenho durante muitos anos e tinha um jeito natural para caricaturar todas as situações. Em tempos ofereceu-me dois quadros que ilustram os procedimentos que se devem e os que não se devem adoptar no ringue quando exibimos os nossos cães perante o juiz. Estes quadros em tamanho A3 são uma delícia, infelizmente não estão digitalizados por isso não vou poder incluir neste post. Mas creio que os dois que incluo e o logótipo mostram bem o estilo de Sam. É uma pena termos perdido o contacto quando eles mudaram de casa pois gostaria de ter tido a oportunidade de fazer uma banda desenhada com o Sam. É possível que ainda a faça sozinho uma vez que também não sou coxo a desenhar. Mas na verdade o Sam tinha um jeito especial de capturar os momentos, as expressões e de enquadrar tudo isso nos desenhos. Acrescento ainda neste post um desenho da São, trata-se de um auto-retrato com os nossos dois cachorros, também ela no seu estilo naif tem um jeito especial de retratar. Finalmente junto um pequeno cartoon feito por mim a propósito dos meus dois patudões e eu.
Queria ainda anunciar um livro “ Amados Cães” da autoria de José Jorge Letria editado recentemente pela Oficina do Livro, vale a pena ler. Sabiam que Pablo Picasso tinha um galgo afegão? Não? Então leiam o livro.
Relembro mais uma vez que todas estas expressões de arte sobre os nossos animais têm um efeito benéfico na forma como introduzem estes junto das massas dando-lhe contornos que de outra forma passariam despercebidos. Através destes trabalhos e da humanização dos animais talvez se consiga consciencializar a sociedade para que lute pelos direitos daqueles que tão marginalizados e maltratados são quando tudo quanto pedem é abrigo, comida e carinho, em troca recebemos toneladas de afecto e alegria.
Mas seja em que contexto for acho importante apoiar todos estes artistas pois de uma forma ou de outra eles contribuem para levar os nossos bichos até muitas pessoas que talvez, a partir de uma forma engraçada, passem a olhar e a respeitar todos os animais na generalidade.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

As minhas respostas ao desafio da Teresa

Confesso que fui apanhado de surpresa por este desafio. A Teresa fez-me uma enorme surpresa, mas não me deixo apanhar assim tão facilmente e num ápice as respostas começaram a surgir, tenho um raciocínio rápido e uma memória que faria inveja a qualquer elefante, mesmo que seja um branco…rsssss. Procurei ser o mais honesto possível (claro que escondi muitos defeitos) pelo menos para comigo…rssss espero que se divirtam tanto a ler quanto eu a escrever.
JOGO RÁPIDO DE RESPOSTAS:
1. Quem admira?
Todas as mulheres que passaram na minha vida, deram-me muito. O meu pai por ter-me incutido valores e princípios que me tornaram um ser humano melhor. A minha mãe por ser uma lutadora toda a vida face a muita adversidade e me incutiu esta força de nunca baixar os braços. A São por ser o ser humano mais extraordinário que conheço e mãe dos meus patudos. Os meus filhos que apesar de eu me considerar um mau pai, eles adoram-me. Maquiavel por conhecer tão bem o ser humano.
2. O que faz nas horas vagas?
Não tenho horas vagas e se tenho preencho-as. Mas entre outras coisa: tocar, desenhar ou altera guitarras, escrever, pintar, ler, jogar xadrez com o computador (ganho sempre nos níveis médios…rssss)
3. Característica de que mais gosta em si?
A imaginação delirante, o espírito de lutador.
4. Defeito?
Teimoso e demasiado orgulhoso
5. O que não suporta nos outros?
Má educação, arrogância e prepotência
6. Um medo?
Antes tinha medos de espíritos e almas penadas na escuridão mas com o tempo substituí pelos cobradores de impostos, mas o maior mesmo é o de acabar como um sem abrigo.
7. Uma lembrança de infância?
Tirando as fenomenais tareias por ser uma peste…rssss
Eu num pátio com cinco anos agarrado a uma guitarra de fado com o meu avô.
8. Uma mania?
Esta deixa-me a pensar bastante pois tudo o que disser pode ser usado contra mim…rsss
Ter tudo sob controlo em qualquer situação



9. Uma viagem inesquecível?
Entre as muitas que fiz e adorei uma das idas a Frankfurt, feira da música, quatro malucos estrada fora atravessando diversos países e divertindo-nos que nem uns perdidos
10. Um homem bonito?
EU!!! Os outros apenas são mais conhecidos….rsssss
11. Uma mulher bonita?
Ai meu Deus!!! Eu acho-as todas bonitas nem que seja durante os primeiros cinco minutos, até abrirem a boca…rsssssss
Michelle Pfeiffer, Daryll Hannah, Meg Ryan.
12. Livro de cabeceira?
Com excepção daqueles que complementam uma das pernas da mesa que está mais curta que as outras…rsssss
O Príncipe de Maquiavel, Qualquer um de Richard Bach e muitos sobre Templários.
13. A canção da sua vida?
Tirando a canção do bandido que eu canto muito bem tenho várias…rsssss
Hotel Califórnia - Eagles
Addicted To Love – Robert Palmer
Adágio – Albinoni
Take a Little Pieace of My Heart – Janis Joplin
Beth – Kiss
Like A Rock – Bob Seger
Pearl’s A Singer – Elkie Brooks
Day Tripper – Beatles
A lista continuaria interminável tantas são, por uma razão ou por outra, as músicas da minha vida.
14. Sou péssimo em?
Matemática meu povo, sou um zero absoluto.
15. Sou bom em?
Tudo o que me meto. Se visualizar na minha cabeça consigo realizar. Aliás melhor do que bom só se eu fosse bombeiro…rsssss
16. Passo este desafio a…
Esta apanhou-me desprevenido pois não conheço bloggers para além dos que a Teresa na sua Gota já desafiou…

terça-feira, 1 de maio de 2007

Cães e gatos

Quando criamos um blog temos duas alternativas: ou escrevemos um post de vez em quando e esperamos a inspiração e tempo para fazer um novo ou, como acontece comigo, não vemos a hora de colocar novo post pois o fluir de ideias é tal que quase somos consumidos por elas…rssss este é o meu caso.
Neste post resolvi falar sobre cães e gatos, algumas histórias que me aconteceram ao longo da vida e algumas pequenas coisas que presenciei e continuo a verificar no dia a dia. Não tenho a pretensão de ensinar ninguém ou de estar com falsos moralismos, a vida é como é e as pessoas são como são, mas acredito que se todos nós formos dando um grito pode ser que a nossa voz funcione como um alerta e os nossos sentimentos se estendam a muitas mais pessoas que juntamente connosco contribuam para que este planeta seja melhor para os animais: os nossos e os dos outros.

Um galgo dois galgos
Há uns anos, mais concretamente doze conheci o Kadja. Era um enorme galgo afegão preto, doce, meigo mas muito senhor do seu focinho. A sua dona foi minha namorada e posteriormente companheira por muitos anos. Ela também descobriu os galgos por acaso: quando visitava uma exposição na antiga FIL na companhia da mãe olhou para um galgo afegão e exclamou: “Mãe olha um cão igual a mim!”, a São é assim mesmo…rssss. Foi através do Kadja que conheci a raça de cães pela qual me apaixonei até aos dias de hoje e da qual tenho dois. Ainda me lembro bem de ver aquele enorme cão nego deixar-se escorregar sobre as patas da frente até ficar completamente deitado no chão ou então do dia em que durante a noite procurei puxar a roupa da cama pois estava a sentir frio e sem sucesso, nova tentativa e nada. Já exasperado procurei com as pernas levantar a roupa mas por mais força que fizesse não conseguia esticar as pernas. Finalmente resolvi abrir os olhos e vi aquela imensa mancha negra atravessada na cama… era o Kadja e por isso é que eu nem conseguia esticar as pernas nem puxar a roupa.
Um dia o Kadja morreu vítima da idade e foi como se o mundo acabasse para toda a família, nada voltou a ser como antigamente.
Dois anos se passaram desde a morte do Kadja e a São nunca deixou de chorar o seu querido cão, em certos momentos vinha-lhe à memória um outro episódio e as lágrimas eram mais do que certas. Num desses dias terminou dizendo “…nunca mais vou ter um galgo…” claro que fiquei com a frase na cabeça e nesse mesmo dia resolvi procurar onde é que existiam galgos para irmos matar saudades. A minha primeira ideia foi ir ver ao jornal Ocasião e acredite-se em coincidências ou não estavam lá anunciadas duas ninhadas, uma em Peniche e outra no Cartaxo daí a pegar no telefone e marcar uma visita foi um ápice.
Estava um bonito dia de Maio quando nos metemos ao caminho, a São e eu, na direcção de Peniche. A ideia era ir ver a ninhada de Peniche e depois seguir até ao Cartaxo para ver a outra. Fomos muito bem recebidos em Peniche pelo criador, o Luís Felipe, de quem ficámos grandes amigos. Lá estavam 9 maravilhosos pequerruchos de várias cores, eu nunca tinha visto galgos em bebés e fiquei um tanto ou quanto decepcionado – então e os focinhos pontiagudos? – Explicaram-me o progresso do crescimento para que eu entendesse o processo gradual de transformação. A verdade é que fiquei apaixonado por um branco e a São favoreceu os pretos por afinidade com o Kadja. Quase como que por entendimento sentimental decidimos ficar com um e como as preferências divergiam optámos por escolher um de outra cor para ser um cão de consenso, assim o escolhido foi um castanho matizado que se revelaria mais tarde dourado e que se chama Ikbal. Já não fomos ao Cartaxo…rsssss. Acabámos por ajudar o criador a vender os cães para amigos nossos e no final como só sobrava um eu decidi que vinha connosco e assim um mês depois do primeiro chegou o irmão baptizado como Bahari, hoje os nossos meninos mais que tudo. Já lá vão 9 anos desde aquele Maio de 98 e as histórias que tenho para contar enchem um livro, mas a felicidade que nos trouxeram caberia em centenas de livros com muitas páginas.

Gatos e gatas da minha vida

Nunca tive gatos e a minha experiência com eles era apenas a de uma pessoa que ocasionalmente brincava com os bichos dos amigos. Mas por incrível que pareça os gatos gostam de mim, os animais em geral gostam. Quando vou a casa de alguém que tem felinos, mesmo sem os conhecer, a verdade é que não tarda muito que me saltem para o colo e se aninhem tranquilamente como se eu seja deles.
Um dia, estava eu no trabalho, quando ouvi uns miados desesperados vindos debaixo dos carros estacionados ali perto. Curioso, fui espreitando até que descobri dois gatinhos bebés provavelmente cheios de fome. Fui ao café ali perto e pedi um pires com leite e alguns bocados de miolo de pão e coloquei perto deles. A gatinha veio logo comer mas o irmão continuou miando e nem me deixava aproximar. Durante dois dias fui alimentando os bichos até que ao terceiro dia só me apareceu a gatinha. Deixou-se apanhar e ficou comigo toda a noite enquanto estive de serviço. Trouxe-a para casa sem saber muito bem o que fazer. Dei-lhe de comer e brinquei com ela como me pareceu que ela gostava e entretanto procurei entre os amigos um dono. Nessa noite quando me deitei a gatinha veio para junto de mim e fazia um barulho esquisito, parecia que tinha um motor na garganta…rssss telefonei aflito para a São para saber o que poderia ser…rsss foi ela que me explicou que aquilo era o ronronar de satisfação. Também foi ela que me explicou que a língua dos gatos não é macia como a dos cães…rsssss. Como podem ver por estes episódios eu de gatos não entendo nada, só sei que arranham e que são muito bonitos. Alguns dias depois a gatinha a quem chamei Tosca arranjou uns donos e um companheiro e lá foi.
Passaram-se dois dias após a ida embora da Tosca quando um colega meu me chamou, eu ia rendê-lo. Apontando um local perto de onde eu costumava colocar o leite para os gatinhos disse-me ele: “olha este tem estado a miar à tua espera. Para meu espanto lá estava o gatinho preto e branco irmão da Tosca. Baptizei-o de Tosco e peguei-lhe trazendo-o comigo. O Tosco teve mais sorte pois no mesmo dia arranjei dona para ele.
Muito tempo depois disto acontecer, estava eu em casa quando olhei pela janela da sala e vi uma gatinha, já grandota, miando e chegando-se às pessoas. No começo achei que os donos estivessem por perto, a gatinha estava bem alimentada. No final do dia lá continuava a gatinha por baixo dos carros só saindo quando via alguma pessoa por perto. Não demorei a perceber que estava perdida ou abandonada. Branquinha de olho azul e super meiga. Peguei nela e trouxe-a para casa. O velho dilema de sempre: eu não tinha tempo para animais, devido há minha vida profissional, mas não podia abandonar a Tosca2. Levei-a ao veterinário que lhe atribuiu cerca de 3 anos de idade, tratei-a e esteve comigo durante uma semana até que finalmente apareceu um senhor através do gatomail (a corrente de amigos que têm gato e email) que manifestou a vontade de ficar com ela caso a gatinha fosse meiga. Ele apareceu lá em casa e mexeu na gatinha com um à vontade e familiaridade que nem eu me atreveria. Trouxe um saco próprio para transporte onde a colocámos e levámos para o carro. Voltámos para minha casa no sentido de levar o resto das coisas dela que eu entretanto tinha comprado e quando voltámos ao carro, para nosso espanto ela tinha aberto os fechos e passeava-se tranquilamente por todo o carro…rssss. O David foi-se embora com a Tosca2 e ficou de me telefonar par dizer como é que tinha corrido a viajem até Oeiras. Segundo ele, desde que arrancou até ao final da rua ela voltou a abrir os fechos e saltou para fora do saco de viajem e fez a viajem toda sentada no banco do passageiro sem qualquer problema, é assim a minha Tosca2. A gatinha foi um presente para a sogra do David que já tinha um outro gato, em vez de Tosca chamaram-lhe Sissi e passou a ser a nova top model de Oeiras.
Apesar de tudo isto ainda me continuo a dar bem com os gatos vadios que habitam por perto do meu local de trabalho, deixam-me dar-lhes de comer, fazer festas, mas deixarem-se apanhar é que não.
Finalmente gostaria de falar dos animais abandonados pois como estamos a entrar na época deferias certamente que o número vai aumentar. Os animais não são bonecos que se compram para dar de presente. São animais que sentem que sofrem, são vida importantes e todos nós temos o dever de os ajudar denunciando qualquer abuso sobre eles cometido. Juntemo-nos nessa tarefa e tentemos fazer deste mundo um mundo melhor para os nossos queridos bichos. Cada vez que vejo um animal abandonado é como que um espinho cravado que me delicera a alma.

sexta-feira, 27 de abril de 2007

A minha vida são muitos livros

Quando penso nos livros da minha vida concluo que foram muitos e diversificados no seu conteúdo. Até aos nove anos de idade devorei os infantis, juvenis e alguns tratados de filosofia pelo meio…rsss isto já para não falar da banda desenhada do Major Alvega, o Mandrake e Luís Euripo. Lembro-me que lia a qualquer hora ou lugar. Mais tarde vieram os super-heróis da Marvel, Super-homem, Homem Aranha e seguintes. Passei muita noite a ler e a escrever, na manhã seguinte levantava-me e seguia para a escola como se tivesse dormido. Fui sempre bom aluno (excepto a matemática), se tirasse um catorze ou quinze a Português ou História ficava furioso pois significava que baixara a nota.
Sempre li, escrevi e desenhei muito e os livros contribuíram para o meu desenvolvimento em todos os sentidos. Livros houve que foram mais importantes do que outros visto por certa perspectiva, mas todos eles foram manuais de aprendizagem agora que os vejo à distância. Até mesmo aquela literatura de cordel, os livros de cowboys, as foto novelas da Corin Tellado, tudo isso eu lia, era uma fome ávida por conhecimento.
A minha quarta classe foi feita na Rua das Trinas, Madragoa. Uma escola pública igual a muitas outras mas que tinha uma particularidade: para podermos almoçar tínhamos que pertencer à Mocidade Portuguesa que ficava na Borges Carneiro junto da antiga Emissora Nacional. Na verdade bastante perto da escola. A título de curiosidade recordo-me que foi lá, naquela cantina que conheci o meu primeiro personagem famoso e até tive direito a um autógrafo. Tratou-se do então famoso toureiro José Júlio. Recordo-me porque ele desenhava um touro e assinava por baixo. Mas voltando ao assunto. Ingressado na Mocidade tive direito a frequentar tudo o que de bom aquela instituição tinha para oferecer: várias modalidades desportivas que incluíam o remo e a esgrima, teatro, cerâmica e até (naquele tempo) aeromodelismo. Esta instituição (não obstante ser militarista) possuía instalações e condições que fariam inveja a qualquer colégio privado dos nossos dias, mesmo aos melhores e era pública. Existem certas coisas que a nossa democracia podia ter recuperado pelo menos em prol da cultura. Ingressei no teatro pois sempre gostei de representar. Aí tomei contacto com a Nau Catrineta, Gil Vicente (que adoro) O Auto da Barca do Inferno, peças que representei. Na altura auspiciaram-me uma boa carreira como actor, mas infelizmente eu tinha um lado de mafarrico e raramente resistia a ele. Durante os ensaios da Nau Catrineta nós usámos dois bancos um em cima do outro para simular o mastro do navio e no topo dos bancos estava um colega meu, não resisti, quando ele começou a dizer…”Lá vem a Nau Catrineta que traz muito que contar…” o meu pezinho empurrou os bancos e o pobre estatelou-se no chão enquanto eu gritava – homem ao mar – e esta foi a primeira advertência. Depois veio Gil Vicente, eu era o primeiro cavaleiro e entretinha-me a picar toda a gente com a ponta da espada…rssss segunda advertência. Mais tarde durante uma peça sobre D. Juan, o colega que representava o papel estava em palco junto ao acesso para os bastidores, representava com ambos os braços abertos e mãos abertas viradas com as palmas para cima. Eu olhava para aquilo enquanto de soslaio me apercebi de uma cesta com ovos ali perto (adereço de uma outra peça). Não demorei muito tempo a idealizar uma partida e a pregá-la: peguei num ovo e coloquei-o na mão do pobre colega que representava…rsss ele lá se foi equilibrando com o ovo na mão até ao momento em que tinha que cerrar os punhos e pegar na espada…rssss ainda me rio hoje ao recordar o ovo partido escorrendo pela sua mão abaixo…rssss toda a gente a rir e eu estraguei a minha promissora carreira sendo expulso do teatro, comediante incompreendido foi o que foi. Depois fui para cerâmica e aeromodelismo.
Ainda nessa época através de um familiar fui exposto à religiosidade, sessões de espiritismo e tratamentos com rezas, tinha os meus 10 anos mais ou menos ou onze já não me lembro bem. Sei é que passei por um período que tinha visões e que cheguei a tratar e curar pessoas (não me perguntem como). A verdade é que as pessoas não paravam de me procurar e tudo aquilo me assustou, felizmente mudámos para Cascais e cortei com tudo isso. Mas esta parte da minha vida trouxe ao de cima o meu misticismo e levou-me a ler o Corão e a procurar as doutrinas orientais. Na verdade sou cristão (Não é católico). Na verdade há coisas que não se explicam como por exemplo a minha identificação com aquelas figuras de cavaleiros de túnica branca com uma cruz vermelha. O meu código de conduta muito semelhante ao dos Templários, nada disso me foi ensinado eu sempre fui assim. Mas adiante.
Pouco antes de virmos para Cascais o meu pai, devido a uma injecção estragada, paralisou da cintura para baixo e a minha mãe ficou com o fardo de criar quatro filhos. Ela trabalhava 16h por dia movida a cafés e eu tomava conta dos meus irmãos. Mesmo assim, ainda com 10 anos, numa curta estadia na Colónia Balnear Infantil de O Século fiz a minha primeira letra e música que participou no espectáculo de encerramento da férias e me deu a oportunidade de dar a minha primeira entrevista para um jornal. A letra foi extremamente simples, ainda me lembro dela. Para mim era fácil, ainda é, escrever poesia sempre o fiz desde muito novo. A música ainda é mais fácil: desde pequeno que escuto música na minha cabeça basta-me tirá-la para fora, naquele caso assobiei a música e um jovem que tocava guitarra acompanhou-me.
Durante diferentes períodos da minha vida li e aprendi sobre equitação e cavalos, cinema e Indústria Hoteleira, nesta última tornei-me profissional. No meu percurso laboral que começou cedo fui parar ao programa Ensaio da RTP. As instalações da empresa eram paredes-meias com um jornal de música, O Musicallissimo (Primeira edição de 1970). Neste jornal trabalhava um cantor também jornalista que estava a finalizar um disco: “Até Ao Pescoço” de José Jorge Letria. Fui entrevistado por ele a propósito do filme Help dos Beatles (esta parte a minha amiga Teresa vai gostar…rssss). Foi também a trabalhar para o Ensaio que fui entrevistado pela primeira vez em televisão. Lembro-me que foi relativo a um programa sobre a Biblioteca Condes de Castro Guimarães de Cascais.
No seguimento de tudo isto e como a música fazia parte da minha vida comecei a adquirir livros técnicos sobre música e instrumentos ampliando os meus conhecimentos nesta área. Infelizmente não havia títulos em português e virei-me para a importação. Graças a um professor que tive na terceira classe cedo tomei contacto com a língua inglesa, isto porque ele prometeu ensinar uma canção em inglês no final de cada aula se nos portássemos bem. A primeira canção que aprendi foi “My Bonnie Lies Over The Ocean, ainda hoje a sei de cor. Sempre tive um jeito muito grande para línguas e aprendi inglês com os filmes e com os discos, depois complementei com os livros a parte da escrita. Tudo isto servir-me-ia no futuro para fazer traduções.
Passaram-se alguns anos em que parecia que iria estagnar, mas por volta dos meus 24 anos iniciei uma busca por temas mais técnicos quer em termos de electricidade quer de electrónica e tudo isto relacionado com guitarras. Graças a estes conhecimentos trabalhei numa loja como reparador de instrumentos e dei os meus primeiros passos como construtor. Trabalhei ainda como carpinteiro 2 anos para aprender a conhecer as madeiras e as técnicas, pelo caminho aprendi a fazer móveis e graças aos livros sobre o assunto fiquei a conhecer as árvores e os tipos de madeira para os meus propósitos. Nesta altura eu estava num relacionamento de grande importância para mim e que também me trouxe estabilidade. Durante este período escrevi letras para bandas, algumas tornaram-se músicas e foram editadas em disco. Nesta fase eu vivia com a minha mulher, sogra e cunhado. Éramos uma família unida e feliz. O meu cunhado andava a estudar sistemas digitais no Isel queria ser engenheiro. Éramos como irmãos, o meu cunhado é uma dessas pessoas que consegue juntar a inteligência, a habilidade, o método e a concretização. Juntos partilhávamos a electrónica e a música. Ele bem tentava que eu me interessasse por computadores, mas eu não me entusiasmava muito com as novas tecnologias na época. O meu cunhado entrara para uma empresa subsidiária da Hoechst Portuguesa, na qualidade de técnico de computadores. Eles importavam e comercializavam equipamentos e o meu cunhado era o responsável técnico trazia toneladas de manuais para casa. Ele só tinha um problema: línguas eram o seu pesadelo, não percebia nada. Combinámos então que eu traduziria com a ajuda técnica dele, todos os manuais e informações que ele recebesse, isto sem que ninguém soubesse. Foi assim que aprendi sobre computadores, a mexer-lhes e a repará-los. Não tardou muito que me juntasse ao meu cunhado na dita empresa como técnico. Depois fui chefe de assistência técnica, especialista de produto e gestor comercial. Entre 87 e 1992 estive ligado à informática e ao começo dos telemóveis quer como técnico quer como comercial ou acumulando as duas vertentes.
Em 1992 fundei com um grupo de rapaziada mais jovem os Moloc, toquei com eles até 1994 altura em que integrei o projecto Oceanea do Tó Neto. Foi também durante este ano que descobri a astrologia, quiromancia, esoterismo e a minha aproximação ao estudo dos Templários enquanto ordem e presença em Portugal, Convento de Cristo em Tomar e Castelo de Almourol são território sagrado para mim, lá retempero as minhas forças sempre que posso. Foi ainda neste ano que a São entrou na minha vida e com ela o JL (Jornal de Letras); os pintores e a pintura, novos horizontes literários, temáticos, novos sabores e perfumes, uma cumplicidade que dura até hoje nesta profunda amizade. Em 1998 fomos buscar dois cães, galgos afegãos, uma raça que eu conhecera através da São que teve um que eu conheci e me fez apaixonar pela raça. São os cães mais gatos que conheço e eu adoro felinos. Rapidamente me muni de livros sobre a raça e em breve falava com os especialistas tu cá tu lá. Na verdade aprendi muito sobre os cães em geral. Durante este período ainda dei apoio comercial e marketing a uma loja de importação de instrumentos triplicando as vendas desta em seis meses. Por volta de 1997 ingressei como jornalista e especialista de instrumentos na Revista Promúsica só saí em 2002 altura em que a publicação faliu, já eu era chefe de redacção.
Certos livros ficaram-me no coração como Esteiros de Soaeiro Pereira Gomes, O Princípe de Maquiavel ou Fernão Capelo Gaivota de Richard Bach, mecionar todos levaria mais de 20 páginas.
Existem muitos mais exemplos mas creio que estes são suficientes para passar a mensagem de que: Tudo o que sou o devo aos livros.
Posso não perceber nada sobre um assunto, mas se existir um livro sobre isso eu torno-me perito.
O que seria a minha vida sem os livros? Quando ela própria é um imenso livro de muitos capítulos escritos, alguns inacabados e muitos outros por escrever.