sexta-feira, 20 de abril de 2007

Homens e mulheres esse mistério

Começo este post com uma pequena anedota que acho engraçada do ponto de vista masculino, mas que não deixa de ter um fundo de verdade.
Estava um homem à pesca quando, ao puxar as redes, viu que vinha emaranhada nelas uma lâmpada de óleo. Pegou-lhe e surgiu um génio que lhe disse:
- Por me encontrares concedo-te um desejo. Um único desejo por isso pensa bem. – o pescador trabalhava duro e por vezes o peixe nem dava para ganhar para o sustento de uma família como a dele, ficou pensativo. Lembrando-se da mulher que constantemente lhe dizia que viviam mal disse para o génio.
-Quero que o mar desde aqui até minha casa se encha de peixe todos os dias em que eu vier pescar. – o génio olhou para ele com os olhos a faiscar e disse:
- Olha, tens que pensar noutra coisa pois isso é muito complicado até para mim que sou génio. – mais uma vez o pescador ficou a pensar e lembrou-se das constantes discussões com a mulher pois pensavam de maneira diferente e o que ele achava certo ele achava errado e vice-versa. Posto isto disse:
- Pois bem génio o que eu quero é compreender as mulheres! Quero saber como pensam, o que as motiva, o que acham das coisas, como vêm a vida…
O génio olhou para o pescador durante longo tempo quase uma eternidade e aí falou.
- Ó pescador com que tipos de peixe é que queres que eu encha este mar todos os dias em que vieres pescar?



Existem coisas que nos surpreendem no relacionamento entre homens e mulheres ou vice-versa. Seremos assim tão diferentes? Li em tempos um artigo, suposto estudo científico, que afirmava que a diferença consistia na forma como os dois sexos pensam. Afirmava o artigo que os homens são muito mais práticos em certos aspectos e também menos exigentes. Ainda citando o artigo, as mulheres amadurecem mais depressa, são mais aguerridas na busca dos seus objectivos e mais responsáveis. Em conclusão pode dizer-se que a sociedade evolui para um matriarcado.
Pensando em tudo isto cheguei à conclusão que a nossa sociedade sempre foi um matriarcado. Diz a história que “Por trás de um grande homem está uma grande mulher”. Lá pelo facto de ela estar por trás não quer dizer que lhe fique atrás ou que não seja ela a mandar e ele a aparecer. Vejamos a minha experiência pessoal.



Durante a minha juventude e até mais tarde fui um D. Juan, imaturidade talvez ou uma busca pela pessoa certa. O que pude constatar é que as mulheres se apaixonavam por mim, achavam-me o máximo e algumas semanas de relacionamento eram o suficiente para me começarem a querer mudar. Começava pela roupa “Acho que devias comprar isto ou aquilo ficava mais a condizer contigo” ou “Essas botas em bico já não se usam” ou ainda “ficavas melhor de cabelo curto”. Estas apenas algumas coisas pois o rosário continuava. Tendo em conta que sou músico e era nessa qualidade que elas me conheciam, lógico era que eu vivesse rodeado de músicos e guitarras: “Os teus amigos só falam de música, passas o tempo agarrado às guitarras, quero sair e vais para os ensaios, mais um fim-de-semana em que vais tocar e não podemos ir para lado nenhum. Não vou contigo pois estou farta das músicas, estou farta da banda e ir para ficar numa mesa a ver-te tocar e aquelas fulanas todas a atirarem-se a ti…”. Um dia vinha a inevitável frase: “…ou eu ou as guitarras…” mais uma vez ficava sozinho, mas não por muito tempo e a história repetia-se. Afinal o erro era meu ou delas? Nunca percebi. Provavelmente eu era uma atracção mas o que elas procuravam era um chefe de família presente e não um saltimbanco. AS MULHERES QUEREM HOMENS COM SITUAÇÕES ESTÁVEIS.




Um dia estava com os elementos da minha banda e respectivas mulheres e namoradas e a conversa recaiu sobre o facto de eu ter muitas namoradas em curto espaço de tempo. Eu não me achava (nem acho) bonito, nem do tipo musculado, está certo que me acham parecido com o Richard Gere (Eu não acho), mas fora isso, eu de facto nunca procurei uma explicação para o meu sucesso junto do sexo oposto. Uma das namoradas, a do meu vocalista disse: as mulheres gostam de ti porque tu és meiguinho! (o namorado mandou-a logo para casa…rssss). AS MULHERES GOSTAM DE HOMENS MEIGOS.
Numa outra conversa falou-se na minha fama de conquistador e que isso funcionava como uma atracção. Uma espécie de eu ser a lâmpada e elas as borboletas Elas sabiam que podiam queimar as asas mas não deixavam de ir até lá. AS MULHERES GOSTAM DO RISCO.


Uma pessoa que fez parte da minha vida afirmava para quem a queria ouvir que eu era um sedutor nato e que isso atrai as mulheres. AS MULHERES GOSTAM DE SER SEDUZIDAS.
Nos meus tempos de juventude sempre acompanhei com mulheres. O principal motivo é que desde que me lembro de existir sempre tive um fraquinho pelas meninas, achava bem mais interessantes as brincadeiras delas do que as dos rapazes. Os garotos jogavam à bola, índios e cowboys, brincavam com carros ou lutavam uns com os outros. As meninas inventavam histórias com pessoas e profissões da vida real que eram bem mais interessantes e estimulantes. Durante o liceu continuei a acompanhar com raparigas, falávamos de coisas interessantes e tomei contacto com alguns dos problemas das mulheres que passaram a ser compreendidos por mim e passei a tratá-los com naturalidade. Os rapazes só não brincavam aos índios, o resto mantinha-se igual. Eu desde muito cedo comecei a ler, desenhar e escrever, foi com as raparigas que consegui partilhar tudo isto e arranjar namoradas (claro). Cheguei a desenhar roupas e botas que anos mais tarde vi aparecer na moda, eu já as desenhara seis ou sete anos antes, isto de acordo com desenhos que foram guardados por algumas amigas minhas e que me alertaram para o facto. Eu fiz e escrevi tanta coisa nesse tempo que me esqueci da maior parte do que fiz. AS MULHERES SEMPRE SE PREOCUPARAM MAIS EM EVOLUIR DO QUE OS HOMENS.

No que respeita às mulheres da minha vida e a todas, em geral, sempre as respeitei e fui honesto com elas, jamais me aproveitei de alguma. Considero que todas elas fizeram de mim um homem e um ser humano melhor, estou-lhes grato por isso.
Anos mais tarde constatei que os homens continuavam muito parecidos com o tempo que eram rapazes: as lutas agora eram pelo status, os carros, o futebol e sexo, esta a última variante. As mulheres procuravam uma estrutura social definida, um homem para partilhar a vida e construir uma família, sacrificavam-se por isso.
No final tive que aprender a falar de futebol, contar anedotas parvas e aceitar brincadeiras estúpidas para me relacionar com os meus colegas de trabalho, até porque sou uma pessoa social. Claro que para tudo isto existem excepções, mas da minha experiência, complicadas ou não, com todos os defeitos e qualidades afirmo:
GRAÇAS A DEUS TEMOS AS MULHERES OU A HUMANIDADE JÁ ESTARIA EXTINTA!!!




Histórias engraçadas da música


Para este post resolvi falar de coisas diferentes, daquelas que não acontecem a todos e que são muito engraçadas quando recordadas muito tempo depois. Estas histórias vivi-as de um modo ou de outro e fazem parte do meu álbum de recordações. Escolhi algumas das engraçadas pois as tristes guardo para o meu epitáfio e juntá-las-ei à encomenda do meu requiem…rsssss

Fa Fom You
Há alguns anos atrás escrevi uma canção chamada “Ride” que num dos versos tinha a frase “Far from You” durante as gravações de uma maqueta num conhecido estúdio e após vários dias e noites sem dormir, quando o vocalista foi colocar as vocalizações nos temas, nesta canção só se percebia “Fa Fom You”. O que nós rimos e gozámos com o desgraçado por causa disso foram dias inteiros de pagode. No primeiro ensaio da banda que ocorreu cerca de 4 dias depois dessas sessões ainda nos metíamos com o Bruno por causa do “Fa Fom You”. O ensaio começou e quando chegou à canção fatal todo o mundo ria, só que o tema era no tom de Sol e quando todos entraram certo eu entrei em Fá…rsssss foi uma gargalhada geral, por causa da brincadeira eu interiorizei o Fá e cada vez que tocávamos a música eu enganava-me sempre. O pior é que fiz a mesma coisa no espectáculo que veio a seguir e na frente de mais de 400 pessoas no Ruína Bar, no Estoril, todos entraram em Sol e eu em Fá…rssssss


B52’s e Aspergic
O Ruína Bar, no Estoril, era como que uma segunda casa para mim. Era também uma espécie de santuário dos músicos, profissionais e amadores. Ali se juntavam os Delfins, Sitiados, 4GET, Ajakalma, Primitive Reason, isto apenas para citar alguns dos mais frequentes. Graças à iniciativa do meu amigo Francisco, infelizmente já falecido, um artista e um dos sócios do bar, realizavam-se naquele espaço concertos de bandas de originais, Karaoke e iniciativas variadas. Era por isso natural que nós tocássemos lá tantas vezes, fazíamos inclusive questão em estrear sempre um tema novo quando lá tocávamos nem que eu tivesse que o escrever dois dias antes do evento. O Ruína era como a minha casa, aliás na maior parte dos dias livres eu chegava lá pelas 22h e saía com os funcionários às 7h da manhã…rsssss. Naquele dia íamos tocar lá mais uma vez…
Preparámos tudo durante a tarde, fizemos o soudcheck e ficou tudo afinado para o concerto. Quando terminámos eram já umas 19h30 e escolhemos jantar por ali perto. Eu entretanto fui a Almada buscar uma amiga minha e quando voltei já os meus companheiros iam adiantados nos aperitivos, vinho e jantar. Acabámos o repasto e o outro guitarrista começou a queixar-se de uma forte dor de cabeça. Alguém (uma das muitas garotas que andavam com a banda) lá providenciou um aspergic ao rapaz que em meia hora ficou fino. Chegámos cedo ao bar e espalhámo-nos por entre o mar de gente que começava a encher o recinto. O meu amigo guitarrista que entretanto melhorara e se esquecera resolveu emborcar uns B52’s para animar e foi uma alegria. Uma hora depois fomos para o camarim mudar de roupa e tudo parecia bem, estávamos animados, a adrenalina a subir, uma brincadeira pegada que só parou quando corremos com as garotas e curiosos porta fora para aquele momento de concentração que é só da banda. Subimos os degraus do camarim para o palco prontos para dar o litro como se costuma dizer. Mal começamos a tocar eu oiço uns ruídos estranhos do lado onde estava o outro guitarrista e virando-me um pouco vejo-o com dificuldades com o cabo que liga a guitarra ao amplificador, subo o volume da minha guitarra e continuo a tocar tentando colmatar a falta. Na segunda música o ruído era pior e ele estava a tocar. Aproximei-me dele e vi-lhe os olhos baços, as mãos pesadas batendo nas cordas sem nexo e completamente fora de tom. Subi ainda mais o volume da minha guitarra e para mim aquele show durou uma eternidade, só pedia que terminasse. Nem existiu encore seguimos directos para o camarim e lá o Miguel (o tal guitarrista) só me pedia desculpa, até de joelhos…rssss. O que acontecera fora que o álcool em conjunto com o Aspergic tinham-lhe causado uma bebedeira monstruosa e ele nem conseguia ouvir, ver ou coordenar movimentos. Ele ainda tentou ver pelas mãos do baixista em que tom é que era a música, mas o baixo era fretless (sem trastos) logo só via dedos…rssss. Regressados ao bar toda a gente nos felicitava pelo excelente concerto!? Mesmo os músicos igualmente profissionais!? Ninguém dera por nada. Bem ninguém não é bem assim… um amigo meu guitarrista da velha guarda e uma influência para mim segredou-me ao ouvido: “…Para que precisas tu de outro guitarrista?...”



Its only rock’n’roll
Foi num fim-de-semana de Agosto, saímos de manhã cedo numa carrinha, a banda e algumas convidadas, para o que seria uma viajem tranquila até à Covilhã. Nessa noite íamos tocar na discoteca Storm que nenhum de nós conhecia. A viajem decorreu sem incidentes, parámos para almoçar e como sempre o vinho regou o repasto com alguma quantidade e não faltaram os aperitivos e os digestivos para compor o ramalhete. Uma das garotas achou por bem acompanhar a banda mais no beber do que no comer e não foi por falta de aviso, mas cada um sabe de si. Já na discoteca, umas horas mais tarde começámos o soundcheck, verificação de material e todas aquelas coisas que fazem de cada espectáculo um ritual. Para quem não conheça a discoteca Storm (nem sei se ainda existe) tinha a entrada, do lado esquerdo um comprido bar que ia até quase à pista, no lado direito umas mesas. A pista estava dividida por um pequeno palco com um varandim de metal de protecção. Atravessando a pista existia um recanto em forma de ferradura com várias mesas e um banco que acompanhava o formato do espaço.
Acabámos os nossos preparativos e a nossa amiga do almoço tinha agora optado pela cervejita e muita alegria. Os donos da discoteca colocaram à nossa disposição um lauto lanche, bem regado por vinho da região e a festa continuou. Mais tarde foi o jantar com os rituais do costume, aperitivos, o bom vinho e os digestivos. No final fomos para a discoteca que já começara a encher-se de gente bonita e outra nem por isso…rssss. A nossa amiga dos copos ia bebendo e confraternizando com os clientes e chegou a vir-me apresentar o mesmo casal umas seis vezes sem exagero, os coitados já não sabiam o que fazer. Mais tarde tentou juntar-se a nós mas as dioptrias dos olhos estavam bastante alteradas e ela viu mais um metro de sofá do que na realidade existia e estatelou-se ao comprido no chão, uma festa.
Eram cerca de 22h30 quando subimos ao palco e acto contínuo entrou um grupo de homens e mulheres com aspecto algo duvidoso (prostitutas e acompanhantes). A meio do segundo tema uma das mulheres do grupo deu um estalo noutra, os homens meteram-se e não tardou que todo o mundo andasse ao estalo. O meu vocalista virou-se para mim e perguntou: “O que é que fazemos agora?” eu muito sereno respondi alegremente: “continuamos a tocar isto é rock’n’roll”…rsssss.


Maldito Stand By
Para demonstrar que até o mais cuidadoso falha tenho esta história que nunca mais esquecerei e que ficou documentada em vídeo. Estava eu a tocar com o Tó Neto no projecto Oceanea e fomos tocar à discoteca O Bote no Carvoeiro, Algarve. Pode dizer-se que estávamos em casa pois a maioria dos elementos do grupo residia nessa localidade, só eu era de Lisboa. Uma vez que se tratava de um evento pequeno e mais na desportiva resolvi fazer o baptismo de fogo a duas novas guitarras. Antes de qualquer evento, cerca de dois dias antes eu inspeccionava todo o material que iria usar. Guitarras, cabos, amplificador, transmissor, roupa e adereços. Procedi do mesmo modo. Já com todo o material instalado na discoteca voltei a fazer a verificação final e tudo ficou pronto para a noite. O set era simples, uns temas instrumentais para abrir, entrávamos nos temas vocalizados em crescendo e o final era velocidade máxima. Fiz a gestão do equipamento e com a discoteca cheia começou o concerto. Tudo correu bem até ao quarto tema Magic City of Love. Quando chegados a este tema sabia que tinha dois grandes solos e preparei-me para brilhar, peguei na minha “Bones”, uma guitarra que tem o esqueleto escavado no corpo, uma peça de arte feita pelas minhas mãos e preparei-me para começar… todos começaram menos eu, da guitarra não saiu qualquer som. Vá de ligar e desligar cabos por associação e exclusão de partes, tira pedais e sei lá mais o quê, o resto da banda a tocar e a olhar para mim com ar interrogatório e eu sem saber o que fazer, a discoteca cheia. Finalmente olho para o amplificador e vejo um botão vermelho aceso, era o Stand By. Os amplificadores a válvulas têm dois interruptores lado a lado, um para ligar e desligar o aparelho e outro (o stand by) que reduz o consumo de energia, corta a saída de som mas mantém as válvulas incandescentes e em aquecimento permanente. Assim retirei o stand by tudo voltou ao normal e ainda fui a tempo de fazer o solo principal e também o mais longo…rsss alcançando o meu momento de glória.

Hoje é o primeiro dia da minha nova vida...


Todos nós temos um ou mais carros de que gostamos, por vezes conseguimos realizar o sonho de o comprar, na maior parte das vezes ficamos apenas no sonho. Este é o meu caso…rsssss. Quando na década de sessenta Ferruggio Lamborghini criou a marca do touro, depois de muitos anos de sucesso no fabrico de tractores agrícolas, comercializados no nosso país, deu origem aos mais belos carros desportivos de sempre (na minha opinião).


Diz-se que os Lamborghinis amam-se ou odeiam-se, mas jamais se consegue ficar indiferente. Eu tenho por hábito dizer que para comprar um super desportivo basta ter dinheiro, mas para comprar um Lamborghini é preciso também ser-se diferente e ter bom gosto. Um Lambo é mais do que um carro é o espírito de um homem que com tenacidade e trabalho construiu os sonhos de muita gente, deixando também exemplos de como a vontade e o espírito de aventura podem levar um homem a atingir metas impensáveis. É verdade que a sorte também ajuda, mas Ferruggio deixou uma frase que o caracterizou muito bem: “Hoje é o primeiro dia da minha nova vida…” era com esta frase que começava os dias.
Muitos dos carros da Lamborghini fizeram história desde que a fábrica começou, mas na verdade o maior sucesso aconteceu quando Marcelo Gandini, trabalhando para a Bertone desenhou o Miura, este ficaria na história automóvel. Em seguida o mesmo Gandini desenharia aquele que ainda é actualmente o mais belo super carro de sempre, o Countach.
















Este é ainda uma imagem de marca e os jovens continuam a ter posters dele e a desejá-lo não obstante já terem passado muito mais de 30 anos desde que foi apresentado pela primeira vez.
Já afastado da Bertone, Gandini assinaria ainda mais um modelo fabuloso, o Diablo, cuja originalidade seria alterada pela Chrysler, à época proprietária da marca, mas nem por isso o carro deixou de ter a beleza italiana.


A Lamborghini passaria por muitas dificuldades financeiras e mudaria várias vezes de proprietários até aos nossos dias, actualmente pertence à Audi e os modelos Murciélago e Gallardo já reflectem bem a influência alemã cobrindo o coração italiano que é o motor. Mas mesmo assim continuam Lamborghinis.







No que respeita às minhas preferências o Diablo Roadster em amarelo é e será sempre o meu preferido, muito embora nos meus sonhos incluiria um Miura em verde Pistaccio e também um Countach em branco. Posso considerar-me um homem de sorte pois já andei em alguns Lamborghinis e até já estive ao volante de um como podem ver na foto…rsssss.















Outro caso sério das minhas preferências é o Hummer H1 em amarelo com o tejadilho em preto. A Hummer é uma marca americana que começou por fabricar carros para o exército Norte-americano, os HumVee, e acabou por se tornar uma referência em jipes. Já comercializados no nosso mercado o H2 e H3 são carros de luxo, mas eu continuo fiel ao H1. Paixões são paixões. Deixo aqui as fotos para os que como eu gostam de sonhar, aproveitem pois que ainda é grátis…rsssss


De mil cores pinto a minha vida

Sou autodidacta na maior parte das coisas que faço e a pintura faz parte dessa minha vertente. Aliás eu tenho por hábito dizer que o que consigo ver na minha cabeça sou capaz de concretizar com as mãos ou então basta-me um bom livro para começar e lá vou eu. Abençoado seja quem inventou os livros, sem eles eu não teria feito nada. Se ser músico foi uma paixão e uma certeza, pintar aconteceu por acaso ou melhor por influência. Conheço alguns pintores que fazem parte do meu círculo de amigos graças à São e à Moema: Luís Athouguia (a minha influência), Eduardo Petersen, Renato Rodiner, isto para citar apenas alguns. Mas foi o Athouguia que me influenciou mais directamente. Conheci o Luís em 1994 num convívio em casa da Moema e algum tempo depois fomos todos em peregrinação ao convento de Cristo em Tomar, local em que ele estava a expôr os seus quadros. Fiquei maravilhado. Um dos quadros expostos "Flor Monástica" faz parte do meu reduzido acervo pessoal que conta com 3 Athouguias que me enchem de orgulho, mas o primeiro é o primeiro e ainda hoje não deixo de me maravilhar com ele. Para que tenham uma ideia vou deixar aqui 3 quadros de Athouguia que estão comigo. Perdoem se as fotos não são grande especialidade mas não sou fotógrafo.
Estes apenas três exemplos da pintura de Luís Athouguia que recomendo vivamente.












Após a exposição à obra do pintor e tendo eu desenhado muita coisa ao longo da minha vida, principalmente bonecos, a conselho do pintor resolvi experimentar as aguarelas. Fiz umas coisitas, tímidas no começo, mas avancei para o meu assunto favorito, o abstracto. Mais uma vez por influência do Luís que pinta a pastel, escolhi o mesmo material e comecei a pintar. Aos poucos desenvolvi uma técnica, não a inventei certamente surgiu por naturalidade, e fui avançando, explorando aquilo que me ia na alma. Já com alguns trabalhos mostrei-os ao Luís que me incentivou e me disse que nos exemplares exibidos denotava-se qualquer coisa de original e que valia a pena continuar.




A verdade é que depois de algum tempo comecei a vender quadros sem nunca ter feito uma exposição, isto incentivou-me. No final tenho mais de 40 exemplares e penso, um dia, fazer uma exposição. Fazer algo sem grandes pretensões, mas que exiba o meu trabalho ao maior número de pessoas e de certo modo alimentar o ego, o que sabe sempre bem. Nunca serei um Athouguia, mas certamente não deixarei o meu mentor envergonhado. Aqui ficam alguns quadros como mero exemplo do que faço. A verdae é que gosto de cores, gosto de vida e de luz, inspiro-me nos sentimentos e é isso que procuro reproduzir na tela.

Meramente referencial vou deixar os nomes de alguns: Voando no Pensamento, Entrançado de Sonhos, O Nascimento Místico, A Minha Alma É Uma Harpa, Sem Nome e finalmente, O Vulcão De Sentimentos.
Espero que gostem tanto deles quanto o prazer que tive ao pintar. Mais uma vez lembro que não tenho pretensões a grande pintor, mas sempre gosto de mostrar o que faço.

Nice Boys Don't Play Rock'N'Roll


Existiu sempre um certo preconceito contra os músicos de rock. Pelo menos no que respeita aos que militam por aquele rock mais "pesadote". Ainda me lembro de olharem para mim de soslaio quando eu passava com o meu cabelo comprido, blusão de cabedal, calças de ganga (hoje diz-se jeans é mais fino), botas ao estilo cowboy e aquele ar de rebeldia que caracteriza a juventude. A coisa piorava quando a acompanhar esta imagem se juntava uma guitarra. Ser músico era sinónimo de vagabundo, indesejável, mandrião e sei lá que mais. Mas era tudo isto que atraía as jovenzitas que viam em nós uma forma de contrariar os pais e também nos achavam o máximo. Aliás, numa banda os mais atractivos são sempre o vocalista e o guitarrista.

A verdade é que foram uns tempos bem empregues aqueles em que comprei uma guitarra eléctrica e de forma autodidacta (como em tudo na minha vida) aprendi a tocar. Tinha eu os meus oito anos quando pela mão da minha mãe vi na Pompeu Machado (No fundo da Rua do Carmo), uma linda guitarra preta na montra da loja. Lembro-me de ter dito: "Mãe eu quero aquela!" - foi o começo do sonho. Desde esse dia as guitarras passaram a fazer parte do meu dia a dia. Primeiro em sonhos até cerca dos meus 16 anos, altura em que comprei a primeira guitarra. Custou-me 40 contos. Cinco contos do meu vencimento, mais cinco que o patrão me adiantou e fiquei a pagar o resto em seis meses...rssss, uma fortuna. Liguei essa guitarra ao meu gira-discos (após uns quantos dolorosos choques eléctricos) e a coisa lá funcionou. Mas a minha experiência musical teve a sua estreia aos 10 anos de idade, altura em que escrevi a minha primeira letra e fiz de cabeça e assobiando a minha primeira música. Estava eu na Colónia Balnear Infantil do Século. Foi a minha estreia em palco e dei a primeira entrevista para o jornal "O Século". Mas avançando um pouco na cronologia... obtive a minha guitarra e comecei a aprender a tocar copiando os discos.
Por umas e por outras lá fui evoluíndo. Simultâneamente fui desmantelando e montando a guitarra para perceber como era feita e não demorei muito no caminho da personalização. Algum tempo mais tarde já dominando a construção e a electrónica entrei para uma loja a Garrett Música como reparador de instrumentos. Seguiu-se a construção uma parte de que me orgulho bastante e em que fiz peças interessantes como esta da foto que faz parte da minha colecção particular, chama-se "Bones".
Na realidade, quem me conhece bem sabe que eu não consigo viver sem uma guitarra por perto e se forem várias, melhor!...rsssss cada um com a sua tara. Durante muitos anos dividi a minha vida entre outras actividades, a música e as guitarras, sendo que estas últimas foram a coisa mais constante da minha existência. Mas entre tudo o que fiz, música, poesia, informática, Jornalismo, o estar em palco é algo sublime. Nada se compara a estar ali em cima, em sentir a música percorrer o nosso corpo e dar-nos uma energia que não há mais nada igual. Não há palavras para descrever tal sensação. Nós olhamos cá para baixo e vimos apenas cabeças ondulantes, gentes sem rosto que acenam e pulam na nossa frente, em comum só aquela vibração que nos une como que num celebrar único. O resto não existe, só nós e a música, só eu e a minha guitarra naquela união com o cosmos. Naquele momento e naquele lugar sou o rei do universo. Muitos anos, muitas noites e centenas de histórias. Muitas namoradas, alegrias e tristezas. Muitas guitarras e muitos anos depois, hoje sinto-me um homem com sorte pois a vida deu-me algo que vale mais do que todos os euro milhões do mundo: uma vida rica, cheia e também, a seu modo, feliz.

Uma intervenção cirúrgia na minha alma, dói demais

Hoje sinto-me nervoso, angustiado e um tanto impaciente. Tive que levar um dos meus queridos cães para uma intervenção cirúrgica que muito embora o médico diga ser simples, para nós (eu e a São dona de metade dos canitos), foi o fim do mundo.


É difícil imaginarmos estas coisas, só mesmo passando por elas. Nem todos temos a mesma sensibilidade, é certo, mas perdoem-me os mais cépticos a estes sentimentalismos mas eu e a São adoramos os nossos patudões como se de filhos se tratem. Tudo o que mexe com os nossos deixa-nos numa enorme ansiedade e angústia. Mas acontece que os nossos garotos desenvolveram (ambos) um quisto numa zona junto do ânus, sendo necessário a remoção pela via cirúrgica, caso contrário corriam o risco de a coisa se agravar. Como parte do diagnóstico foi-nos dito que se tratava de um efeito hormonal e que para extinguir em definitivo a hipótese dos quistos voltarem teríamos que castrar os nossos meninos. Tudo isto foi confirmado pelo cirurgião que acrescentou ainda tratar-se de um problema comum em animais que produzem testerona em excesso. Prova disso uma infecção que lhes aconteceu na cauda e onde ficou uma pelada, deu nos dois meninos e na mesma zona. Tivemos que nos mentalizar que não existia outra saída e avançar.

Hoje saímos cedo com os nossos mais que tudo pela trela, mal eu cheguei lá a casa foi uma festa de patadas, saltos e lambidelas, viemos para a rua dar a volta do costume, mas que para os patudos é sempre uma alegria, coitados contentam-se com qualquer coisa e ficam felizes com pouco, são assim os nossos animais. Chegámos ao consultório veterinário às 9h30 em ponto e ambos os canitos foram observados pelo médico que com o ar mais natural do mundo, comentou que seria coisa simples. Escolheu o Kibito (Ikbal) para ser o primeiro pois tem problemas de epilepsia. Ainda o vi em cima da marquesa com aquele ar doce e assustado sem perceber muito bem o que estava a acontecer. Cá fora, pela porta aberta da sala eu e o Bahari observávamos tudo, a São ficou lá com o nosso menino doce, grande mulher a São, se tivesse optado por ser mãe seria uma das mais extraordinárias, não obstante aquele ar calmo e até tímido.
A São é uma virgem com ascendente peixes, mas é dotada de uma força e coragem ilimitadas, já o demonstrou por diversas vezes. Ela é a minha melhor amiga e a pessoa mais extraordinária que conheço. Algum tempo mais tarde a São regressou para junto de mim e disse que o nosso menino já dormia. Fomos a casa deixar o Bahari que dava sinais de impaciência e intranquilidade, talvez adivinhando que o próximo seria ele. Regressámos mais tarde e encontrámo-nos com uma grande amiga nossa e a melhor amiga da São. Melhor amiga é dizer pouco pois a Moema é como uma irmã da São e está sempre presente nos bons e nos maus momentos. Estivemos os três na sala de espera até que ouvimos longos lamentos do nosso Kibito, as lágrimas aflorando os nossos olhos, lágrimas sofridas e doridas com aqueles lamentos do nosso menino, mas ao mesmo tempo aliviadas pois o choro dele indicava que estava vivo. A assistente do médico veio dizer-nos que estava tudo bem e que a intervenção fora um êxito. Acto contínuo ouvimos umas patitas no chão e eis que surge o nosso menino, trôpego, cambaleando mas com aqueles olhos doces e a cauda abanando de felicidade, veio para junto de nós buscando protecção e carinho, um pouco de conforto face à dor que sentia.
Mas o que podemos nós fazer para lhe aliviar o sofrimento? Palavras meigas de afecto, carinho, alegria por o ver a andar. Ele não parava quieto, queria sair dali, andava na direcção da porta e foi preciso ainda estancar um fio de sangue que teimava em escorrer (normal disse o médico). Levámo-lo para casa, agitado, dorido e sem posição para estar. Por fim deitou-se e acabou por encontrar uma posição o mais confortável possível. Saí pouco depois olhando para o Bahari que olhava para aquilo tudo muito agitado sem perceber o que se tinha passado. Para ele estivera apenas algum tempo sozinho sem o irmão e isso já deve ter sido sofrimento suficiente. Mal Imagina o meu Teca (Bahari) que amanhã será a vez dele passar por tudo isto e nós passarmos novamente por todo este sofrimento e angústia. Há dias em que me sinto vazio, como se o ar, a energia e tudo o resto fugissem de dentro de mim, especialmente quando vejo e sinto o sofrimento daqueles que amo, mesmo sabendo que esse sofrimento é para o bem deles, porque será que isso não me consola?


ADENDA
07-03-21
Não ficaria este post completo se não mencionasse o dia de hoje. O meu kibito (Ikbal) já se encontra convalescente mas com aquele olhar doce e vivo que lhe conhecemos. A sua cabecita vira-se observando tudo e todos com vivacidade, um doce, cheio de mimos claro. Mas por outro lado hoje foi a vez do teca (Bahari) ser intervencionado. Cheguei lá a casa cedo, a São acabara de se levantar e fui recebido com patadas e caudas a dara a dar, uma alegria. Levei o Bahari ao seu passei matinal que tão feliz o deixa. O kibito olhou para nós, ainda se ergueu um pouco mas desistiu. Pouco depois seguimos para a clínica. Confesso que hoje me custou muito mais do que ontem, nem sei porquê, mas senti-me mais nervoso, mais ansioso e muito mais fragilizado. A Sâo também, muito embora me tentasse animar e eu a ela. O tempo que durou a intervenção foi mais longo e, soubemos depois, a operação mais complicada. Mas por fim lá veio o meu patudo cambaleando mas abanando o rabito feliz por nos ver. Nem um queixume, nada, só aqueles olhos escuros mostravam que estava dorido. Até a ferida está com melhor aspecto do que a que tinha o irmão quando veio ter junto de nós. O meu teca é um fortalhaço, um cãozão!! Só em casa, já deitado na sua cama emitiu queixumes, pequenos gemidos, nada exagerado.
Acabou! Respiro de alívio, mas não quero passar por isto novamente assim Deus nos ajude. Pode ser uma intervenção simple e tudo o mais em termos técnicos, só que o meu coração não reconhece isso e o da São também não.

domingo, 18 de março de 2007

O Galgo Afegão e eu




Sou um amante dos animais, todos em geral. Sou uma dessas pessoas que sente um aperto no coração quando vê uma animal vadio ou abandonado e choro quando vejo um morto na beira da estrada. Talvez seja lamechice minha ou excesso de sensibilidade, mas cada um é como é. Ao longo dos anos tive alguns cães quando jovem e depois mais nada pois a minha vida profissional não o permitia. Sem querer e pelo rumo da vida tornei-me uma pessoa um pouco mais insensível e materialista. Um dia, através de uma amiga minha conheci o galgo afegão, o Kadja, foi amor à primeira vista. Sendo uma pessoa bastante independente identifiquei-me de imediato com aquele cão, o mais gato que conheço. Admirei a sua independência, o seu ar aristocrático, a sua doçura, a sua elegância e aqueles olhos que penetram fundo, até ao mais profundo da nossa alma, são cães telepáticos e uma raça com mais de 5 mil anos que viveu no antigo Egipto e se espalhou pela India e Afeganistão. Em 1999 adquiri dois, um brindle, matizado de dourado, preto e branco, o Ikbal e o seu irmão preto e prata Bahari. São dois filhos que tenho, dois companheiros e dois amigos para a vida, sem ele sinto-me vazio. Eles trouxeram-me alegria, carinho incondicional e melhoraram o que de mim existe de melhor. Devolveram-me a sensibilidade e a vontade de amar. Curiosamente só me pedem em troca carinho, comida e abrigo, e claro um lugar bem confortável para se deitarem, tipo o melhor sofá da casa ou a minha cama. Graças a eles sou um ser humano melhor e por isso lhes agradeço. Hoje têm 9 anos, passou muito depressa, mas peço todos os dias que durem muito mais anos, pois sem eles o meu mundo ficará muito mais triste.